As grandes decisões estratégicas são importantes para as empresas. No entanto, as pequenas decisões do dia-a-dia são um grande teste à organização de uma empresa. A ética nas organizações deixou de ser conceito abstrato para se tornar num eixo importante da estrutura e organização corporativa. Nos dias que correm, não basta garantir lucro. É preciso fazê-lo ao mesmo tempo que cada empresa demonstra propósito, transparência e responsabilidade perante os stakeholders.
Inevitavelmente, surgem dúvidas sobre o papel que os valores éticos devem desempenhar num ambiente empresarial competitivo e escrutinado. A resposta não é simples, pois as pressões de curto prazo continuam a coexistir com uma exigência crescente de transparência e responsabilidade perante o ambiente que rodeia as empresas. Ignorar essa realidade representa um risco para as empresas, em diferentes eixos, mas sobretudo o reputacional e o valor de mercado de uma empresa depende, em parte, da sua reputação
Os benefícios de uma cultura ética robusta são muitos. Valores devidamente definidos orientam decisões, fortalecem a confiança e promovem a coesão organizacional. Quando verdadeiramente incorporados, os valores éticos funcionam como uma bússola que orienta decisões mais transparentes, mesmo em situações críticas. Paralelamente, ambientes que promovam o diálogo crítico e promovam a consciência e responsabilidade ética, tendem a ser mais inovadores e resilientes.
Em contrapartida, a ausência dessa cultura resulta em desorganização, perda de transparência e exposição elevada a riscos financeiros, legais e reputacionais. Pressão por resultados e a falta de cultura ética organizacional favorecem comportamentos de risco e decisões que irão inevitavelmente, fragilizar a organização. Frequentemente, os colaboradores fecham os olhos a práticas duvidosas para se protegerem e a outros ou fruto do medo de retaliações.
Assim, levantam-se questões que continuarão a merecer a atenção dos decisores, instituições e entidades reguladoras: como devem as empresas equilibrar os objetivos de desempenho com uma estrutura ética e transparente? Se determinadas empresas não tiverem uma cultura ética bem definida, estarão a prejudicar-se só a elas mesmas ou também aos seus parceiros, clientes e fornecedores? Como deverão atuar as entidades reguladoras no sentido de homogeneizar o Compliance em Portugal?
O futuro do tecido empresarial português dependerá da forma como os diferentes agentes responderem na prática a estas questões. Uma coisa é certa, as organizações que conseguirem alinhar o desempenho económico com uma atuação eticamente responsável estarão não só mais preparadas para enfrentar crises, como para conquistar a confiança de mercados e stakeholders. Longe de constituir um obstáculo, a ética poderá ser o motor de uma de competitividade assente na confiança e propósito.