Em litígios empresariais, o recurso a um Perito Económico e Financeiro é somente um custo ou, pelo contrário, uma ferramenta estratégica na criação de valor?

Em litígios empresariais, a decisão de recorrer a um perito económico e financeiro é, por vezes, encarada como uma despesa adicional — um “mal necessário” para cumprir exigências processuais ou reforçar a posição de uma das partes. Mas será que esta perceção faz justiça ao verdadeiro valor do trabalho pericial?

Na realidade, a perícia económica e financeira vai muito além de uma obrigação formal. Representa uma oportunidade para clarificar factos complexos, traduzir informação técnica em linguagem compreensível, mitigar riscos e tornar os desfechos mais objetivos e céleres, evitando custos desnecessários e processos prolongados.

Importa, contudo, abordar uma questão que frequentemente condiciona esta decisão: por que razão se resiste à contratação de um perito? Uma análise económica precoce permite compreender a dimensão real de um litígio antes de investir tempo e recursos num processo longo. Este diagnóstico inicial pode conduzir a decisões mais eficientes — negociar um acordo, ajustar expectativas de indemnização ou até evitar ações que não se sustentam financeiramente.

Um dos maiores desafios dos peritos é fazer a ponte entre o mundo jurídico e o económico e financeiro. Se o direito tem a sua própria linguagem, cabe ao perito traduzir a complexidade técnica em factos claros e verificáveis. Essa ponte constrói-se num vector com três direções:

  • Com os advogados da própria parte, para alinhar estratégias;
  • Com os advogados da parte contrária, para compreender e refutar argumentos;
  • Com tribunais e árbitros, para garantir que os factos são entendidos de forma simples, rigorosa e objetiva.
 

Um bom perito domina estas três dimensões e transforma números dispersos em narrativas claras e fundamentadas. Ao quantificar danos, avaliar contratos ou reconstruir fluxos financeiros, fornece segurança técnica e ajuda a evitar decisões baseadas em perceções ou estimativas arbitrárias.

É verdade que as perícias exigem investimento — de tempo, de dados e de recursos humanos e financeiros. Mas quando bem conduzidas, reduzem a incerteza, evitam decisões desfavoráveis e podem até transformar litígios em oportunidades de aprendizagem e evolução. Vistas desta perspetiva, deixam de ser um custo inevitável e passam a ser um instrumento de criação de valor.

Talvez, afinal, a pergunta não deva ser se o perito é um custo ou uma oportunidade, mas como empresas e advogados podem extrair o máximo valor do seu trabalho. Envolvê-lo desde as fases iniciais, partilhar informação e alinhar objetivos são passos essenciais para transformar a perícia num investimento estratégico.